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Vítimas da Covid-19 e profissionais da saúde serão homenageadas



Perder alguém nunca é fácil. Durante a pandemia, com a ansiedade e o medo, a dor da perda se potencializa. Mas talvez transformar esse sentimento em um ato de ajuda ao meio ambiente pode ajudar a criar um espaço único de memória, tanto no íntimo como em um lugar físico. É isso que a campanha "Bosques da Memória" busca propor para sociedade civil, agentes do governo e instituições de preservação do meio ambiente neste sábado, 12.

Em uma ação nacional, diversas mudas serão plantadas para homenagear as vítimas da Covid-19 e profissionais da saúde. Além do lado sentimental, a iniciativa ocorre também pelos incêndios que destruíram, principalmente, o Pantanal e a Mata Atlântica. A ideia é transformar esse momento de tristeza em grande gesto de esperança. Dessa forma, é possível homenagear um ente querido que morreu por coronavírus plantando uma árvore para ele em um bosque da memória, bem como contribuir com o meio ambiente. A campanha é uma promoção conjunta da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA); da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. O objetivo é ser uma ação participativa e colaborativa e está aberta às pessoas e instituições interessadas. Em Icapuí, a Fundação Brasil Cidadão lidera a iniciativa com a plantação de um bosque no mangue característico da região com 100 plantas nativas, além de mais 70 em unidades de saúde. As mudas estavam sendo mantidas e cultivadas na sede do projeto. O biólogo André Luiz Braga, um dos colaboradores da fundação ressalta que o momento também é de alertar sobre a situação do mangue, mas também de aproximar agentes do estados e sociedade civil em ações de recuperação e conservação do meio ambiente. "Não só em Icapuí, mas em todo o Ceará, a inserção de arvores exóticas é uma realidade muito severa. Então, a gente faz esse trabalho de sensibilizar essas pessoas dos prejuízos da inserção dessas plantas no nosso ambiente", comenta ele. O mangue, segundo ele, foi escolhido pela preocupação com o nível de degradação desse ecossistema por atividade econômicas. No município, o biólogo ressalta a atividade pesqueira e de mariscos. Em sua visão, unir o meio ambiente e a pandemia é uma forma de alertar para outro ponto: as consequências da degradação do meio ambiente. "A pandemia, apesar das várias discursões do teor do estopim, da sua origem, ela tem uma relação estreita com a conservação do meio ambiente", ressaltou. A união destas duas pautas pode ajudar também os parentes que perderam entes queridos da pandemia, por poder proporcionar um espaço de reflexão e memória para lidar com a saudade e a dor da perda. A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) também vai aderir ao momento em três outros pontos do Estado. “O objetivo é plantar árvores como um gesto simbólico em homenagem às vítimas do coronavírus e aos profissionais de saúde no Brasil e ao mesmo tempo recuperar florestas”, disse em comunicado, Artur Bruno, titular da pasta. O secretário ressalta os desafios que 2020 tem apresentado desde pandemia às crises climática, com incêndios e desmatamentos, que tiveram aumento este ano. Os familiares que perderam parentes para o coronavírus poderão plantar as mudas em três unidades de conservação (UCs) estaduais, onde os eventos ocorrerão simultaneamente: Parque Estadual do Cocó (Fortaleza), Parque Estadual Botânico do Ceará (Caucaia) e Refúgio da Vida Silvestre (Revis) Periquito Cara-Suja (Guaramiranga). Os locais foram escolhidos por serem Postos Avançados da Mata Atlântica e onde encontram-se remanescentes do bioma com excelente grau de preservação. Nos espaços, as mudas podem ser plantadas ao longo de seis meses e os interessados poderão também, se quiserem, levar mudas para criar seus próprios Bosques da Memória. Em todos os espaços, as atividades seguirão os protocolos sanitários previstos no decreto estadual com máscaras, distanciamento e álcool em gel.


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